TÊXTIL

‘Feito no Brasil’ se consolida como estratégia ESG para marcas de moda

17/06/2026 20:06:00

Produção local, algodão certificado e rastreabilidade por QR Code colocam fornecedores nacionais no centro da agenda de sustentabilidade do setor têxtil

‘Feito no Brasil’ se consolida como estratégia ESG para marcas de moda
Edson Augusto Schlogl, da Incofios: cadeia precisa comprovar de onde vem cada etapa do seu produto

A valorização da produção nacional deixou de ser apenas uma questão de identidade para se tornar uma estratégia concreta de sustentabilidade na indústria da moda. 

Marcas que priorizam fornecedores locais reduzem a pegada de carbono ligada à logística e conseguem comprovar a origem responsável de suas matérias-primas, uma exigência cada vez mais presente nas relações com compradores e investidores atentos aos critérios ESG. 

O movimento acompanha um setor que vem provando ser possível crescer e reduzir impactos ao mesmo tempo. 

Segundo dados do painel do Observatório Nacional da Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a produção têxtil brasileira cresceu 18% entre 2000 e 2024, enquanto as emissões diretas de dióxido de carbono caíram mais de 70% no período. 

Hoje, o setor responde por menos de 1% das emissões totais da indústria nacional, um indicador que fortalece a posição do produto brasileiro frente a mercados que exigem responsabilidade ambiental.

Para empresas que precisam prestar contas de sustentabilidade, a origem da matéria-prima é decisiva. Um exemplo é a Incofios, indústria localizada em Indaial, Santa Catarina, que produz fios 100% algodão e reúne elementos hoje valorizados por esse modelo. 

A produção local de fios encurta cadeias logísticas e reduz emissões associadas ao transporte, enquanto o algodão utilizado conta com as certificações BCI, da Better Cotton Initiative, e SouABR, do programa Algodão Brasileiro Responsável, que atestam práticas de cultivo social e ambientalmente responsáveis. 

A esses fatores soma-se a rastreabilidade por QR Code, recurso que permite acompanhar a origem do material e oferece transparência a marcas e consumidores finais.

Veja o que diz o diretor geral da Incofios, Edson Augusto Schlogl:

"Quando uma marca escolhe um fornecedor nacional certificado e rastreável, ela não está apenas comprando fio, está construindo uma cadeia que consegue comprovar de onde vem cada etapa do seu produto".

"Cada vez mais, nossos clientes precisam apresentar essa origem responsável a seus próprios compradores e investidores, e é exatamente isso que entregamos”.

No Brasil, essa cobrança já é realidade na relação entre fornecedores e grandes redes de moda. 

O Programa ABVTEX, criado em 2010 pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil e adotado pelas principais varejistas do país, condiciona o fornecimento à aprovação em auditorias de conformidade socioambiental, que avaliam desde condições dignas de trabalho e combate ao trabalho análogo ao escravo até a rastreabilidade da cadeia de subcontratados. 

Na prática, comprovar origem e responsabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser um critério de entrada para quem quer abastecer as grandes magazines.

A pressão por essa comprovação também vem de fora, sobretudo do mercado europeu. 

A partir de 2026, a União Europeia passa a implementar de forma progressiva o Passaporte Digital de Produto, exigência prevista no Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis e que alcança o setor têxtil entre os primeiros segmentos afetados. 

Pela regra, cada produto comercializado no bloco precisará reunir, em uma identidade digital acessível por QR Code, informações como composição, origem das fibras, pegada ambiental e potencial de reciclagem, valendo inclusive para itens fabricados fora da Europa. Diante desse cenário, o localismo estratégico deixa de ser um detalhe e passa a ser um instrumento concreto de comprovação, capaz de transformar o "feito no Brasil" em argumento de credibilidade dentro das estratégias ESG do setor da moda.





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