CRÉDITO

Mercado de capitais avança sobre o crédito bancário e financia expansão imobiliária em SC

01/06/2026 22:06:00

Médias construtoras do Litoral Norte recorrem a fundos estruturados para sustentar canteiros de obras e ritmo de empregos

Mercado de capitais avança sobre o crédito bancário e financia expansão imobiliária em SC

Um movimento de amadurecimento financeiro e desintermediação bancária vem redesenhando os bastidores do mercado imobiliário em Santa Catarina. Para sustentar o ritmo acelerado de canteiros de obras no litoral norte — região que impulsionou o fechamento do primeiro trimestre com mais de 9,6 mil novos empregos na construção civil, segundo o Novo Caged —, incorporadoras de pequeno e médio portes estão substituindo o tradicional financiamento bancário por estruturas customizadas no mercado de capitais.

O fenômeno regional acompanha uma tendência macroeconômica nacional. Dados recentes da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que o mercado de capitais brasileiro superou a marca histórica de R$ 500 bilhões em captações por empresas que buscam alternativas aos grandes bancos.
No setor da construção, indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelam que a rigidez e os formatos padronizados do crédito tradicional fazem com que mais de um terço dos empresários busquem novas ferramentas de captação que se alinhem melhor ao ciclo imobiliário longo.

REFLEXO NOS CANTEIROS DE OBRAS

Na prática regional, essa mudança reflete-se na aceleração de projetos locais. Em Camboriú, por exemplo, uma construtora com 14 anos de atuação no mercado imobiliário conseguiu quintuplicar o tamanho de sua operação no último ano após reformular a gestão e migrar o financiamento para fundos estruturados. Atualmente, a incorporadora desenvolve cerca de 80 mil metros quadrados em empreendimentos residenciais e comerciais na cidade.

"O fluxo de caixa na construção civil tem uma dinâmica muito específica, com oscilações naturais entre as entradas e as saídas ao longo das obras. Ter um parceiro financeiro que entenda essa sazonalidade e dê velocidade aos recursos é o que garante o crescimento sustentável da empresa, sem engessar a operação", analisa o diretor financeiro da construtora, Ramon Geremias.

Diferente do crédito de emergência, os fundos estruturados oferecem previsibilidade que acompanha o cronograma de longo prazo das obras, atraindo empresas saudáveis e com governança sólida. Uma das principais ferramentas utilizadas são os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), mecanismo focado em antecipar recebíveis a prazo.

GOVERNANÇA

"O mercado de capitais é altamente seletivo, exigindo diretrizes rígidas de compliance, certificações e adjustments na gestão financeira que revelam maturidade das empresas", analisa o economista e professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Daniel da Cunda Corrêa da Silva. Segundo o especialista, essa modalidade estende o ciclo de expansão imobiliária na região por apresentar uma dinâmica mais adequada ao cronograma de longo prazo das obras do que o financiamento bancário tradicional.

Na prática, esse cenário permitiu que a catarinense SP CAPITAL, fundo de investimento sediado em Itapema e especializado no setor produtivo, registrasse um salto de 711% em suas operações nos últimos dois anos. A instituição já injetou mais de R$ 500 milhões especificamente no setor de construção civil e infraestrutura catarinense, ultrapassando R$ 1 bilhão operados globalmente em 2025.

"Não entregamos apenas capital, mas uma estrutura que compreende a volatilidade natural do fluxo de caixa na construção. Após uma análise técnica rigorosa na entrada, a fluidez do recurso garante a previsibilidade que o empresário precisa para cumprir prazos de entrega e manter o cronograma físico da obra", pontua Luís Carlos Schneider, diretor-presidente da instituição.

O reflexo prático dessa engenharia financeira moderna reflete-se na ponta final da cadeia econômica. "A estabilidade financeira da construtora protege desde o fornecedor de insumos até o comércio local. É o planejamento financeiro se transformando diretamente em estabilidade social e manutenção de empregos para o estado", finaliza Schneider.





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