CONSTRUÇÃO CIVIL
Construção civil de SC é responsável por 5,5% do PIB do setor
18/07/2025 10:30:00
O setor da construção civil de Santa Catarina é responsável por 5,5% do PIB nacional do segmento e 30% do PIB setorial da região Sul.
No primeiro trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) nacional do ramo apresentou queda de 0,8% em relação ao trimestre anterior, refletindo a elevação dos juros e o clima de incertezas econômicas.
A economista Ieda Vasconcelos, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) explicou que a região Sul é responsável por 20% do PIB nacional do setor.
Em evento da entidade realizado nesta quinta-feira (17) na Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), a economista destacou que no primeiro trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil nacional apresentou queda de 0,8% em relação ao trimestre anterior, refletindo a elevação dos juros e o clima de incertezas econômicas.
Entre os grandes desafios do setor estão a alta taxa de juros, o aumento do IOF, incertezas na economia como a taxação norte-americana e a inflação, além da falta e do alto custo da mão de obra.
ESTABELECIMENTOS E EMPREGOS
Apesar da retração do PIB do setor no primeiro trimestre, a Região Sul manteve indicadores robustos: concentra 24,5% dos estabelecimentos da construção civil no país (70.248 de um total de 286.277), com destaque para o Paraná (35,82% da região), seguido de perto por Santa Catarina, com 22.308 estabelecimentos — o equivalente a 31,76% da construção civil do Sul.
Em relação ao mercado de trabalho, o setor criou 25.109 novas vagas com carteira assinada na Região Sul entre janeiro e maio de 2025 — uma leve queda de 1,77% frente ao mesmo período de 2024.
Apesar disso, o saldo ainda supera os resultados obtidos em 2022 e 2023, demonstrando que o mercado continua aquecido.
O segmento de serviços especializados para construção se destacou positivamente, com alta de 16,14% nas contratações.
Por outro lado, obras de infraestrutura registraram queda de 40,99% na geração de empregos.
No recorte estadual, Santa Catarina gerou mais de 9,5 mil vagas formais no segmento de serviços especializados para a construção, como obras de acabamento, instalações elétricas e preparação de canteiros — o que mostra a pujança de suas cadeias produtivas.
A capital, Florianópolis, soma 1.170 estabelecimentos da construção civil, enquanto o estado também enfrenta desafios: o déficit habitacional catarinense é de 190 mil moradias, sendo 29 mil só na região metropolitana da capital.
O Paraná lidera em volume de estabelecimentos (25.162) e foi responsável por 9.886 novas vagas em 2025, mas apresentou retração de 13,74% em relação ao ano anterior.
Já o Rio Grande do Sul criou 9.763 postos no setor de serviços especializados, contribuindo de forma relevante para o saldo geral da região.
A apresentação de dados inéditos e estratégicos sobre a indústria da construção nos três estados da Região Sul integra o projeto CBIC Indicadores Regionais e esta edição é realizada em parceria com a FIESC e patrocínio do Banco de Brasília (BRB).
A programação inclui análises de cenário econômico, tendências de financiamento, dados sobre lançamentos imobiliários e geração de empregos no setor.
A economista Ieda Vasconcelos comentou:
“O ciclo produtivo da construção é longo. As obras lançadas nos últimos anos continuam contribuindo para o crescimento do setor em 2025 e 2026”.
"Mas nossa preocupação é com o médio e longo prazos. Para continuar crescendo, precisamos continuar lançando novos empreendimentos, e para isso precisamos de um cenário estável”.
O presidente da CBIC, Renato Correia, afirmou que a mecanização é o primeiro passo e a industrialização é o segundo caminho para vencer a dificuldade de atrair profissionais para o setor:
"A realidade de curto prazo é que as empresas precisam ser mais criativas ao atrair e manter profissionais, oferecendo mais benefícios e salários melhores”.
Marcos Bellicanta, presidente da Câmara de Desenvolvimento da Indústria da Construção da FIESC, destacou uma iniciativa catarinense que visa atrair desalentados - as pessoas que desistiram de procurar emprego - e jovens para o primeiro emprego na construção civil para atuação no setor:
“Precisamos nos preparar para formar mão de obra qualificada até mesmo para essa mecanização e industrialização”.
O vice-presidente para a região Sul da CBIC, Marcos Mauro, destacou que a industrialização pode não ser suficiente para vencer o desafio da mão de obra:
“Hoje o setor tem um ciclo de obra mais curto, ganhando produtividade”.
“Estamos produzindo mais em menos tempo, com o mesmo número de trabalhadores que tínhamos há uma década”.
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