AGROPECUÁRIA
Agropecuária catarinense tem preços em alta e apreensão com estiagem
23/10/2020 12:20:00
Os bons preços pagos ao produtor rural são os destaques do Boletim Agropecuário de outubro.
Por outro lado, os analistas alertam para os riscos que o atual cenário de falta de chuvas impõe às safras.
O Boletim Agropecuário é emitido mensalmente pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) e reúne as informações conjunturais de alguns dos principais produtos agropecuários de Santa Catarina.
Feijão
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Os preços pagos ao produtor de feijão continuam em alta. Em SC, os produtores de feijão-carioca receberam em média 6,86% a mais em setembro em comparação ao mês anterior.
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Para o feijão-preto, variação positiva de 18,74% no mesmo período.
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Em relação à variação anual (preço nominal), no mercado catarinense os preços do feijão-carioca estão 65% acima.
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Para o feijão-preto, o incremento anual se aproxima de 80%.
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A preocupação agora é com a produção à campo. O Boletim aponta que, provavelmente, a safra nacional será menor em função dos baixos volumes de chuvas registrados.
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A expectativa é de menor oferta de produto, fazendo com que os preços se mantenham nos patamares atuais.
Milho
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Os preços do milho seguem em elevação, com preço médio mensal pago ao produtor em SC de R$53,73 a saca de 60kg, 6,8% superior ao de agosto e 34,3% superior ao de setembro de 2019.
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Em 14 de outubro registrou-se valor de R$61,00 a saca, o que estabelece indicativo de alta no mês.
Soja
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Na soja, os preços pagos ao produtor bateram recordes nominais da série avaliada pela Epagri/Cepa, com aumento de 9,2% entre agosto e setembro.
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Nos últimos doze meses, a alta foi de 40,79%.
Trigo
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O trigo é outro grão cujos preços permanecem em alta. Com a colheita iniciada no Estado, a saca de 60kg do cereal apresentou valorização de 5,12%, com média mensal de setembro em R$60,20 contra R$57,27 do mês anterior.
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O baixo volume de chuvas observado em setembro em muitas regiões produtoras catarinenses pode afetar a qualidade do produto colhido.
Arroz
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Os preços do arroz em casca continuam em alta. Mercado externo também segue aquecido, com aumento significativo das exportações estaduais.
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A estimativa inicial da safra 2020/21 aponta para manutenção da área plantada e redução de produtividade e produção.
Hortaliças
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A safra catarinense de alho se desenvolve normalmente, a despeito de alguns eventos climáticos. Apesar das baixas precipitações, ainda há disponibilidade de água para manter a irrigação.
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Na Ceasa/SC, unidade de São José, o preço do alho nobre nacional, classes 4 e 5, reagiu e fechou o mês de setembro a R$14,00/kg, aumento de 7,14%.
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Situação semelhante ocorreu com o alho classes 6 e 7, que finalizou o mês de agosto a R$18,72/kg e atingiu R$19,74/kg no final de setembro, aumento de 10,12%.
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A safra de cebola se desenvolve normalmente em SC, em boas condições fitossanitárias e produtivas, exceto nas áreas afetadas pelos eventos climáticos extremos que atingiram lavouras de forma localizada.
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Tanto na Ceagesp quanto na Ceasa/SC, setembro fechou com preços em baixa em relação ao mês de agosto, tendência mantida nas primeiras semanas de outubro.
Suínos
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O preço médio pago pelo suíno vivo em SC em setembro foi 4,9% maior na comparação com agosto. Em relação a outubro de 2019, a elevação é de 44,3%.
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A forte demanda internacional, principalmente por parte da China, justifica a alta. Em setembro, SC exportou 43,11 mil toneladas de carne suína (in natura, industrializada e miúdos), queda de 15,1% em relação ao mês anterior, mas alta de 16,2% na comparação com setembro de 2019.
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As receitas foram de US$ 97,12 milhões, queda de 11,2% em relação ao mês anterior e alta de 19% na comparação com setembro de 2019.
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De janeiro a setembro, o Estado exportou 389,11 mil toneladas de carne suína, com receitas de US$ 855,70 milhões, altas de 26,2% e 37,4%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2019.
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SC foi responsável por 51,4% das receitas e 51,6% da quantidade de carne suína exportada pelo Brasil este ano.
Frango
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No caso do frango, a elevação dos custos de produção preocupa o produtor, principalmente em razão do aumento no preço do milho e do farelo de soja, principais componentes da ração.
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Os preços seguem reagindo. Na primeira quinzena de outubro o preço do frango vivo em SC variou 0,6% em relação a setembro e em 12 meses a alta é de 17,8%.
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As exportações continuam em queda. SC exportou 77,72 mil toneladas de carne de frango (in natura e industrializada) em setembro, -0,8% em relação ao mês anterior e -16,7% na comparação com setembro de 2019.
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As receitas foram de US$ 116,66 milhões, queda de 0,5% em relação ao mês anterior e de 27,9% na comparação com setembro de 2019.
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De janeiro a setembro, SC exportou 734,39 mil toneladas de carne de frango, com faturamento de US$ 1,15 bilhão, quedas de 27,5% em quantidade e de 34,9% em valor na comparação com o mesmo período de 2019.
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O estado foi responsável por 25,3% das receitas geradas pelas exportações brasileiras de carne de frango este ano.
Carne de boi
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Em relação a setembro, a alta foi de 3,8% na média estadual.
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Quando se comparam os valores atuais com aqueles praticados em outubro de 2019, a variação é de 48,9%.
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Esses fortes movimentos de alta decorrem principalmente da baixa disponibilidade de animais prontos para abate e do bom fluxo das exportações brasileiras.
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A perspectiva é de que essa tendência de alta se mantenha nos próximos meses.
Leite
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Os preços recebidos pelos produtores de leite tiveram nova alta nesse mês de outubro, embora os preços dos lácteos já sejam decrescentes no atacado.
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Em novembro, os preços aos produtores deverão ser inferiores aos de outubro.
Banana
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Entre janeiro e setembro, o volume comercializado de banana de origem catarinense foi 34,4% menor que a média entre 2016 e 2020.
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No terceiro trimestre, foi 38,5% menor que a média dos últimos quatro anos.
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As exportações também diminuíram no mesmo período: 9,8% no volume e 14,1% no valor negociado.
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Já os preços valorizaram entre agosto e setembro. Houve elevação nas cotações da banana-caturra, como reflexo da redução de plantas devido aos efeitos do ciclone.
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A banana-prata recuperou a valorização das cotações entre agosto e setembro, mas manteve desvalorização em relação ao ano anterior, em função da redução da qualidade das frutas nos bananais e a necessidade de escoar a produção.
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No mercado atacadista, a banana-caturra está com preços acima da banana prata nos entrepostos.
Para conferir na íntegra o Boletim Agropecuário da Epagri/Cepa, acesse este link.
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