EMPRESAS
Microempresário de Tijucas desenvolve seu próprio óleo combustível a não gasta mais com gasolina


Por Alex Lenzi
De Florianópolis
 
 

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Para saber mais sobre o sistema de combustivel utilizado pelo empresário, utilize o e-mail geleiastamara@hotmail.com

 

De maneira caseira, mas eficaz, o empresário José Aparecido Ignácio resolveu há três anos utilizar azeite de cozinha como combustível no caminhão da Geléias Tâmara, empresa que mantinha em Tijucas, na Grande Florianópolis. Agora ele arrendou a indústria e o modelo não está em uso no momento, mas o empresário faz um balanço positivo da experiência.

Ignácio lembra que o óleo era recolhido em bares e restaurantes que usavam somente azeite. “A gordura vegetal ou a banha de porco, apesar de ótimas para a queima, causavam problemas no inverno, endurecendo muito rápido”, explica. Ele diz que começou a pesquisar o assunto revoltado com os preços dos combustíveis no país. A Internet foi uma das fontes de informação para o trabalho.

 

O experimento foi realizado num motor MWM. “Fiz um  aquecedor para afinar o óleo, que entra na bomba já com uma temperatura em torno de 60º C. Troquei o tamanho dos filtros de óleo para dois litros”, explica. Ele diz que o investimento ficou em torno de R$ 300,00. “Como o óleo é de graça, a economia financeira é total”, destaca. Ele afirma que em relação ao rendimento do novo combustível, não testemunhou mudança significativa, fazendo cerca de oito a 12 quilômetros por litro.


Durante a pesquisa o empresário foi adequando a idéia diante do resultado dos primeiros experimentos. Ele ressalta, por exemplo, que nos motores com injeção direta, o óleo ou a banha de porco pura, por serem produtos que adquirem outros elementos das frituras, a queima não é total, fazendo com que o óleo passe para o cárter produzindo uma graxa. “A minha solução, após ter usado ele puro por 25 mil quilômetros, foi misturar com diesel na proporção de 40%, sempre observando se não aumentava o nível do óleo do cárter”, declara.

 

Ele diz que identificou ainda outros meios para obter a queima total. Uma das sugestões do empresário é “transestirificá-lo”, num processo realizado com soda caustica e álcool. Ele afirma que dá também para usar gasolina misturada até se obter uma inflamação e densidade que venha a efetivar a queima total. “Fiz alguns testes, porém pela falta de tempo e de um acompanhamento de um técnico, acabei optando pela mistura do diesel comum”.

 

No projeto final, por ser um trabalho caseiro, Ignácio diz que apesar da economia também teve que lidar com alguns contratempos. Por não filtrar o óleo adequadamente, ele afirma que o veículo emite um forte odor de fritura. “Recebo muitas reclamações dos motoqueiros nas rodovias e das donas de lojas quando estaciono”, lamenta. Problemas à parte, ele diz que tem “imensa vontade” de levar o projeto para outras empresas.