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Site da prefeitura de Jaraguá: entre os melhores doPaís |
Os municípios
brasileiros ainda deixam muito a desejar quando o assunto é e-Gov. Essa
é a principal conclusão do 1º Ranking Nacional de Websites Municipais,
pesquisa que avalia os serviços, conteúdos e informações
disponibilizadas pelos sites das prefeituras de cerca de 300 cidades
brasileiras. No Estado, o destaque ficou com Jaraguá do Sul e
Navegantes, 5º e 8º lugares na lista.
As cidades foram
listadas em um ranking geral de acordo com a média das notas obtidas em
cada categoria da pesquisa. No ranking geral dos 10 primeiros colocados,
a cidade de São Paulo está em 1º lugar, com 3,29 pontos, seguida por São
Carlos (SP) - 2,61, Curitiba (PR) - 2,59, Ipatinga (MG) - 2,58,
Jaraguá do Sul (SC) - 2,44, Foz do Iguaçu (PR) - 2,40, Esteio (RS) -
2,36, Navegantes (SC) - 2,32, Bauru (SP) - 2,30 e Cachoeiro de
Itapemirim (ES) - 2,26.
O estudo foi
conduzido pelo TecGov - Centro de Estudos em Tecnologia de Informação
para Governo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com patrocínio da
Software AG, empresa de TI que visa a desenvolver o estudo de
e-government na América Latina e Espanha por meio da Cátedra
e-Government Software AG, coordenada, no Brasil, pela FGV.
O objetivo do estudo
era analisar o estado atual de avanço do governo eletrônico em
municípios brasileiros, por meio de uma amostra representativa. A
pesquisa constatou que o Brasil está significativamente atrasado no uso
de tecnologias de informação e comunicação no governo. Além disso,
mostra o grande distanciamento entre o que as empresas privadas e os
governos em países desenvolvidos já exploraram das tecnologias de
diversas gerações e a situação de seu uso nos municípios brasileiros.
''Os investimentos no
Brasil têm sido feitos em tecnologias já ultrapassadas, gastando-se
recursos limitados em soluções que inviabilizam o salto para um nível
mais avançado de serviços à sociedade'', explica Norberto Torres,
professor do TecGov/FGV e responsável pelo projeto. ''Este salto poderia
ser dado com o uso das novas tecnologias'', complementa. Ele comenta
ainda que, ao deixar de adotar e explorar tecnologias de formas mais
amplas e mais estrategicamente aplicadas, o governo acaba operando com
baixa eficiência interna nas relações com a sociedade e nos serviços
prestados, com altos custos econômicos. Esta situação leva à baixa
competitividade da economia brasileira, com impactos sobre a renda e do
nível de qualidade de vida de seus cidadãos.
Os resultados da
pesquisa serão discutidos no próximo dia 21 de junho, das 10h às 13h, na
Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV - EAESP) - Rua
Itapeva, 432, Salão Nobre, 4º andar. O evento contará com a presença de
Norberto Torres e Eugênio Martinez, acting country manager da Software
AG Brasil.
Análise
A pesquisa do TecGov
abrangeu cerca de 300 municípios brasileiros e foi realizada durante
quase quatro meses. Foram contempladas todas as capitais, as grandes
cidades e municípios de diversas faixas de população sorteados
aleatoriamente. O estudo foi realizado com base em mais de 220 variáveis
de análise, avaliadas por técnicos especialmente treinados para o
levantamento.
Foram elaborados sete
tipos de visão para abranger as diversas categorias de variáveis: grau
de relacionamento com o cidadão, nível de e-democracia, nível de governo
eletrônico, nível detalhado de governo eletrônico, papéis estratégicos
da Tecnologia de Informação, tipo de conteúdo ou serviço e usabilidade.
Como um dos produtos
do projeto, foi criado o IDGEM-WS - Índice de Desenvolvimento de Governo
Eletrônico Municipal - Websites. Esse índice foi calculado com base em
uma composição de indicadores específicos relacionados ao uso de
websites para oferta de conteúdos e serviços pelas prefeituras
municipais à sociedade. Foram considerados aspectos como nível operado
de governo eletrônico, nível de relacionamento com cidadãos e empresas,
nível de e-democracia percebido, nível de uso estratégico das
tecnologias de informação e comunicação, e carteira de serviços
oferecidos. Além disto, foi desenvolvido também o IU-WSM - Índice de
Usabilidade dos Websites (Sítios) Municipais, calculado com base em uma
cesta de variáveis relacionadas ao nível de usabilidade de websites.
Cada variável
utilizada para avaliação dos websites foi categorizada segundo temas de
interesse típicos relacionados ao nível de conteúdos e serviços em
websites, como, por exemplo, presença básica na web, conhecendo o
município, notícias, utilidade pública, planejamento, orçamento e ações
do governo municipal, legislação, normas, estatutos, políticas,
interação, cadastros, emissão de documentos, inscrições, registros e
solicitações, atendimentos, serviços aos cidadãos e empresas, dentre
outros.
Características
construtivas dos sítios municipais também foram consideradas, tais como
rapidez de acesso e carga do website, estética, layout e facilidade de
visualização, existência de área com acesso individualizado que exigem
login, facilidade de navegação, clareza dos conteúdos apresentados,
disponibilidade, facilidade de localização de assuntos e serviços de
interesse, textos sem erros ortográficos e gramaticais.
Outras variáveis
computaram índices específicos ou gerais, como, por exemplo, grau de
virtualização de processos e de agentes, papéis estratégicos da
tecnologia de informação e comunicação, oferecimento de serviços de
governo eletrônico atrelados à linha da vida, pacotes personalizados de
serviços e relacionamento, estágio de e-democracia e acessibilidade.
Cada município
analisado recebeu uma pontuação em cada variável selecionada para
análise, com a seguinte graduação de nível atingido na cidade:
muitíssimo fraco ou inexistência (0), muito pobre (1), fraco (2), bom
(3), muito bom (4) e excelente (5).
Média do País é
muito baixa
Para efeito de
comparação, o TecGov estipulou a nota máxima de 10 pontos, que
representa o website ideal, contemplando satisfatoriamente todas as
variáveis analisadas na pesquisa. No entanto, a média geral dos
municípios brasileiros atingiu apenas 1,3 pontos, nota muito distante do
ideal e que mostra o tamanho do atraso do País no uso de tecnologias no
governo. A cidade de São Paulo, que ocupa o 1º lugar do ranking,
apresenta nota de 3,29, considerada insatisfatória.
Os 10 municípios que
obtiveram as piores notas são: Riacho de Santana (BA) - 0,42, Macapá
(AP) - 0,56, Astorga (PR) - 0,58, São Gonçalo do Amarante (CE) - 0,61,
Barnabuiú (CE) - 0,61, Entre Rios (SC) - 0,62, Piripiri (PI) - 0,62, São
Gotardo (MG) - 0,63, Santarém (PA) - 0,63 e Victor Graeff (RS) - 0,64.
A pesquisa constatou
que as prefeituras estão muito aquém dos estágios viáveis de serviços de
alto impacto para suas comunidades. |