GESTÃO
Revista Você SA destaca aluna de MBA da FGV Blumenau que aplicou conhecimentos no curso para gerar negócios reais

 
 
  Rosângela: maior rendimento após aplicar na empresa projeto desenvolvido no MBA
 

Rosângela Koepsel, diretora administrativa da Auccon, revendedora de máquinas de confecção sediada em Blumenau, aproveitou o projeto de conclusão de MBA em gestão de negócios na Fundação Getulio Vargas (FGV) para abrir uma nova unidade da empresa, a Auccon Consultoria Integrada. No primeiro ano de funcionamento, a consultoria fez o faturamento do grupo crescer 30%. Como Rosângela é remunerada por comissões sobre as vendas, sua renda cresceu na mesma proporção. Mas a oportunidade que ela teve para colocar seu projeto em prática -- contou desde o começo com o apoio dos proprietários da empresa para levar a idéia adiante -- ainda é rara entre os alunos de MBA da FGV em Blumenau.

O trecho acima faz parte de reportagem especial da Revista Você SA, que vai às bancas mostrando as vantagens dos alunos que aproveitam trabalhos desenvolvidos nos cursos para aplicações práticas em suas empresas ou carreiras. Marcelo Castro, coordenador dos MBAs da FGV Blumenau, também foi entrevistado e destacou a necessidade de uma maior abertura das empresas para que seus funcionários possam adotar esse tipo de atitude. Para Castro, a aplicação prática nos trabalhos e pesquisas trazem uma série de vantagens aos alunos e suas empresas. Para Castro, o aprendizado é mais efetivo quando uma mera hipótese é substituída pela realidade do mercado.

Os alunos são valorizados porque as escolas estimulam projetos com aplicação concreta e, às vezes, divulgam os melhores cases. Além disso, o profissional se destaca diante dos colegas e professores do curso e a empresa pode recompensar com uma promoção ou aumento salarial. A repercussão do trabalho pode ajudar o aluno a abrir portas em outras organizações.

 

ABAIXO, PARTE DA REPORTAGEM DA VOCÊ SA SOBRE AS VANTAGENS DE SE OPTAR POR CASES REAIS OS TRABALHOS DESENVOLVIDOS NOS MBAS

Se você tem pela frente a tarefa de preparar seu trabalho de conclusão do MBA (Master in Business Administration), nem pense na tradicional abordagem teórica que apenas cita um autor atrás do outro, ou então naquele manjado estudo de mercado para criar um negócio que você não tem a menor intenção de levar adiante. Hoje, o que pode contribuir de verdade para a sua carreira é um projeto prático, que seja baseado em uma situação real e traga resultados concretos para a empresa em que você trabalha. "É isso que as empresas esperam de seus funcionários que fazem o curso e é isso que leva um aluno a se destacar na sala de aula diante de colegas e professores", diz Alberto Matias, coordenador de MBAs da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace), braço da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, interior paulista.

No caso da economista catarinense Rosângela Koepsel, de 41 anos, há cinco diretora administrativa da Auccon, revendedora de máquinas de confecção sediada em Blumenau, Santa Catarina, o projeto de conclusão de MBA em gestão de negócios na Fundação Getulio Vargas (FGV) resultou na abertura de uma nova unidade da empresa, a Auccon Consultoria Integrada. No primeiro ano de funcionamento, a consultoria fez o faturamento do grupo crescer 30%. Como Rosângela é remunerada por comissões sobre as vendas, sua renda cresceu na mesma proporção. Mas a oportunidade que ela teve para colocar seu projeto em prática -- contou desde o começo com o apoio dos proprietários da empresa para levar a idéia adiante -- ainda é rara entre os alunos de MBA da FGV em Blumenau. O coordenador do programa, Marcelo Castro, diz que há resistência das empresas da região. "Como nem todo aluno tem a possibilidade de aplicar o projeto no lugar em que trabalha, temos oferecido consultoria gratuita às associações industriais, mas por uma questão de cultura ainda há muito receio em abrir números e permitir interferência externa", explica.


A experiência do engenheiro paulista Ricardo Destro Júnior, de 30 anos, que concluiu no ano passado o MBA em administração de negócios da Fundace, é simbólica. Para ele, o projeto sobre planejamento estratégico e controle financeiro só faria sentido se aplicado em uma empresa de verdade. Como precisava de uma "cobaia" de médio porte, ofereceu assessoria gratuita a um amigo, Maurício Momesso, diretor industrial da Destilaria Momesso, em Mineiros do Tietê, São Paulo, que produz 8 milhões de litros de aguardente por ano e tem 60 funcionários no auge da safra da cana-de-açúcar. "Ricardo identificou pontos críticos da nossa produção e implantou planilhas de controle que contribuíram muito para evitar desperdícios e aumentar a produtividade", diz Maurício. Segundo ele, o ganho imediato foi de 10% e deve ser melhor neste segundo ano, porque os funcionários já estão habituados ao controle e mais cientes da importância do processo.

Além da gratidão do amigo, a experiência trouxe benefícios diretos para a carreira de Ricardo. Ele soube por um colega do MBA que havia uma vaga para engenheiro de automação industrial na Citrosuco, gigante do mercado de suco de laranja e maçã, sediada em Matão, São Paulo. Participou do projeto de seleção e foi contratado, deixando a área administrativa da Telefônica, onde trabalhava na época. "Foi uma troca sintonizada com minha perspectiva de carreira, que representou um ganho salarial significativo." O gerente corporativo de engenharia industrial da Citrosuco, Paulo Henrique Teixeira Lutz, responsável pela contratação de Ricardo, diz que o projeto de conclusão do MBA foi como a cereja do bolo no currículo de Ricardo. "O projeto funcionou como um chamariz para que ele tivesse a oportunidade de mostrar todas as suas credenciais, que incluem a passagem por empresas de diversos setores e uma boa formação técnica".


NEGOCIO E LAZER

Quanto mais resultados práticos os projetos de MBA trouxerem às empresas, melhor para as escolas de negócios. Isso reforça a reputação dos cursos e ajuda a convencer as corporações a investir em educação continuada. De olho nessa tendência, a Strong, parceira da FGV na região do ABC Paulista, há três anos publica um livro com a íntegra dos melhores projetos de MBA de cada ano -- um reforço para o currículo dos autores selecionados. A edição de 2005 teve 12 projetos destacados em quase 800 páginas. Com tiragem de 4 000 exemplares, foi distribuída entre alunos da FGV e bibliotecas de universidades de todo o país.

O melhor de tudo é quando o trabalho de conclusão de MBA alia utilidade e prazer. Foi essa combinação perfeita que conseguiu o analista de sistemas Rogério Maciel, paulista de 35 anos, analista de negócios da multinacional norte-americana Computer Sciences Corporation (CSC), com 80 000 funcionários ao redor do mundo. Para testar na prática os conhecimentos que adquiriu ao estudar gerência de projetos na Fundação Getulio Vargas de São Paulo, ele planejou e executou, em um período de dez dias em setembro do ano passado, um passeio de 1 500 quilômetros de bicicleta entre Paso de Los Libres e Mendoza, na Argentina. "Foi uma excelente idéia, totalmente sintonizada com os princípios de valorização do esporte, em particular o ciclismo, pregados pela empresa", afirma o chefe dele, Paulo Azevedo, gerente de tecnologia da informação da CSC, que patrocina uma equipe de ponta no ciclismo internacional . Algumas das metodologias aplicadas por Rogério, como a planilha WBS, que correlaciona todos os produtos e subprodutos gerados por um projeto e ajuda a estabelecer a melhor ordem de execução, estão sendo adotadas pela CSC no Brasil. "Um colega acabou de implementar uma nova fábrica no interior de São Paulo e usou uma ferramenta de planejamento baseada na minha monografia", diz Rogério.